21/12/2012

ENTREVISTA DE KRISTEN AO SITE C7NEMA (PORTUGAL)


“Eu só faço aquilo que quero”

Falamos com a menina de ‘Crepúsculo’, agora a testar novos rumos ‘Pela Estrada Fora’, o ‘road movie’ do brasileiro Walter Salles, adaptando o famoso clássico americano, de Jack Keruac, sobre a geração ‘beatnik’.
Depois da saga ‘Twilight’ percebe-se que procura agora novos rumos para a sua carreira. E logo com a adaptação de um dos grandes clássicos da literatura americana. Teve oportunidade de ler ‘Pela Estrada Fora’?
Devo dizer que foi o meu primeiro livro favorito. Teria uns catorze ou quinze anos quando o li. Até porque na altura eu nem sequer lia muito. Foi um livro que devorei e que me apresentou a outros escritores e abriu muitas portas. 
Pode dizer-se que foi um livro que a transformou?
Boa pergunta. Não sei se sou a mesma pessoa depois de o ter lido. Talvez seja. Em certo sentido representou uma etapa na minha vida, na altura em que escolhemos quem é a nossa família e quem são os nossos amigos. Mas também as pessoas que nos desafiam e chocam, de certa forma. 
E chegou a encontrar pessoas assim?
Claro. Olhe, por exemplo, o Sam (Reily), o Garrett (Hedlund), o Walter (Salles). E todos os meus amigos, pois não são complacentes e exigem tanto de mim como eu deles. 
Identifica-se com a sua personagem?
Identifico-me mais com a personagem do Sal, pois eu nunca fui uma pessoa que estivesse habituada a ser líder. Quando li o livro queria era encontrar pessoas assim para as seguir. Mas quanto à Marylou, ou melhor a LuAnne (Henderson, a mulher que inspirou a personagem do livro),  é claro quer no livro ela é mais uma pessoa muito vivida, impossível de superar. Tudo o que ela dá espera em retorno. 
E como é então a Kristen Stewart?
Por exemplo, eu não sou uma pessoa que goste assim tanto do céu aberto. Sou mais caseira. E sou mais íntima. E rio-me de mim própria, mas não tanto como ela. Ela é demasiado generosa. Por isso, quando fizemos o filme senti-me perfeitamente descontrolada.
Agradava-lhe a ideia de viajar de carro pela América?
Completamente. Mal tirei a carta quase adormecia ao volante. 
Chegou a fazer uma viagem assim?
Sim. Fiz uma vez uma viagem de carro com duas amigas. Aqui a dinâmica era diferente. Bom, o que lembro é que o carro cheirava mal… (risos).
De onde foi  e para onde?
Isto foi um pouco antes de filmar ‘Pela Estrada Fora’, por isso não tive muito tempo. Tinha três dias antes de seguir para a rodagem e percebi que tinha de fazer uma viagem destas. Comecei em LA, onde nasci e cresci, e viajamos até ao Ohio. Já não conseguimos ir mais longe, pois assim não chegaria a tempo. É bastante longe, quase costa a costa.
Gosta de conduzir?
Adoro conduzir. O que sucede é que não sou muito afoita. Na verdade, senti sempre algum receio durante toda a viagem. Eram locais que não conhecia. Não tive oportunidade de pesquisar o trajeto, o que dificultou um pouco a viagem. Para mim, foi mais um desafio. 
Estava à espera de um filme assim para a retirar fora do frenesim em redor de ‘Crepúsculo’ e da sua relação com Robert Pattinson… 
Sabe uma coisa, eu não me posso afastar desse filme, porque adoro. Por acaso já tinha assegurado o papel em ‘Pela Estrada Fora’ antes da saga ‘Twilight’ existir. 
Assusta-a quando os seus fãs começam a exagerar e a perseguem, como sucedeu durante a rodagem de ‘Twilight’?
Felizmente, estou numa rara posição em que me sinto muito apreciada. Poder partilhar isso com alguém é algo único. Seria louca se não me sentisse afetada pela possibilidade de partilhar este sentimento com tanta gente. Interessa-me mais isso do que a reação de algumas pessoas loucas, que também existem. 
O problema é quando invadem a sua esfera privada. Sobretudo se tiver uma relação afetiva com alguém. Nesse caso, a loucura mediática torna-se global. Sente que ainda não consegue viver o tipo de liberdade que têm as outras pessoas?
Na verdade, sinto que tenho a liberdade para fazer tudo aquilo que me der na cabeça. É claro que me protejo um pouco, mas não me sinto privada de nada. Levou algum tempo até estabelecer os meus limites. Neste momento, sei exatamente o que quero dizer. 
Até que ponto está a ser difícil gerir a sua vida profissional e toda a atenção mediática que se gera tem sobre si o Robert? Conseguem ter tempo para vocês?
Como disse, não me sinto privada de nada. Faço o que quero.
Quem é que a faz sentir com os pés assentes na terra?
São vocês, a imprensa… (risos)
(risos) A sério? Está a brincar… 
É engraçado, porque vocês acham que os atores não gostam de dar entrevistas. Por vezes dou comigo a pensar em coisas apenas quando me fazem uma certa pergunta. E isto é algo que eu nunca falo com mais ninguém, é algo que eu tenho desenvolvido apenas durante as entrevistas que faço. Claro que tenho uma boa base afetiva, tenho uma família muito unida. 
Essa segurança é algo que aprendeu também com os erros?
Com tentativas e erros. Algo que comecei a tentar perceber quando era ainda muito jovem, no início de ‘Twilight’, nos meus dezassete anos. Digamos que é muito cedo para começarmos a falar de nós próprios constantemente. 
Lembra-se quando pensou que estas experiências no cinema começavam a tornar-se em algo mais sério?
No início, achava apenas que era um trabalho. Admirava os meus pais que eram fascinados por filmes. O que eu queria era que os adultos falassem comigo. Por isso ia a sets de rodagem e queria que me dessem atenção.
O que acha que faria se não fosse uma atriz?
Não sei. Acho que queria fazer filmes, mas se tirarmos isso da equação, não sei. Acho que teria de estudar, de voltar à escola, para saber o que queria.
Acha que a saga ‘Twilight’ a ajudou a crescer? Como mulher, como ser humano?
Umm… Interessante. É difícil ser específica. Foram quatro anos da minha vida. Claro. Ajudou-me em tudo o que fiz. Passei lá muito tempo, mas essas personagens permanecem connosco. Acho que alguns filmes me afetaram mais do que outros, mas as minhas escolhas foram sempre tão gratificantes que é difícil escolher uma.

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